Coragem de poeta

Então não te são aparentados todos os viventes,
Então não nutre a própria Parca, em serviço, a ti?
Portanto, anda assim, apenas inerme,
Adiante pela vida, e nada temas!

O que aconteça, seja tudo abençoado para ti,
Seja para a alegria voltado! Ou o que poderia então
Te ofender, coração!, o que
 Lá encontrarias, aonde deves ir?

Pois, desde que o canto, de lábios mortais,
Respirando paz, se desvencilhou, auxiliando em dor e ventura,
Nossa canção de homens
O coração alegrou, assim éramos também

Nós, os cancioneiros do povo, de bom grado entre viventes,
Onde muitos se associam, alegres e a cada um graciosos,
A cada um abertos; assim é deveras
Nosso antepassado, o Deus Sol,

Que o alegre dia a pobres e ricos consente,
Que num tempo fugaz a nós, os que passam,
Eretos em douradas
Andadeiras, como crianças sustém.

Espera-o, também o toma, quando a hora chega,
Sua purpúrea maré; vê! e a nobre luz
Vai, conhecedora da andança,
Concorde pela senda abaixo.

Passa tu assim também, quando uma vez for o tempo,
E ao espírito seu direito nenhures faltar, morra assim
Uma vez, na seriedade da vida, nossa alegria, porém, uma bela morte!

Friedrich Hölderlin. Trad. Vicente de Arruda Sampaio.
In: Walter Benjamin. Escritos sobre mito e linguagem. São Paulo: Ed. 34, 2011.

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